Mocidade é campeã em SP, após apuração marcada por baderna

A Mocidade Alegre foi declarada a campeã do Carnaval de São Paulo quase 7 horas após o início da apuração. A tricolor do bairro do Limão fez uma homenagem ao escritor Jorge Amado, que completaria 100 anos em 2012, no enredo ‘Ojuobá – No céu, os olhos do rei… Na terra, a Morada dos Milagres… No coração, Um Obá muito Amado!”, tendo como foco o livro ‘Tenda dos Milagres’.

A Mocidade foi a terceira a desfilar na noite de sábado. Este foi o oitavo título da agremiação no Grupo Especial. Fundada em 1967, a Mocidade chegou ao grupo principal em 1971 e já foi campeã. Dali partiu para um tricampeonato. Em 80, voltou a vencer. Depois amargou um jejum que durou até 2004. Em 2007 e 2009, novas conquistas. Com o campeonato, a Mocidade se aproximou da Camisa Verde e Branco, que foi rebaixada e soma 9 taças.

APURAÇÃO CONFUSA - Um tumulto começou após a leitura da primeira nota de comissão de frente, último quesito a ser julgado. Um rapaz com a camiseta da Império de Casa Verde invadiu o local onde as notas eram apuradas e rasgou vários papéis. Depois, outros invasores jogaram os envelopes com as notas para o alto.

Voaram cadeiras e os alambrados foram ao chão. Uma taça chegou a ser chutada. Após a confusão, uma alegoria da Pérola Negra, que cantou Itanhaém, foi incendiada. Em São Paulo, os carros alegóricos ficam estacionados todos em um só local aguardando os desfiles.

CLASSIFICAÇÃO - A Pérola Negra, que cantou Itanhaém, e a Camisa Verde e Branco, que falou sobre o amor, foram rebaixadas para o Grupo de Acesso. A Rosas de Ouro foi a vice-campeã, seguida da Vai-Vai, Mancha Verde, Vila Maria, Tucuruvi, Tom Maior, Dragões da Real, Gaviões da Fiel, X-9 Paulistana, Império de Casa Verde e Águia de Ouro.

REGULAMENTO - No artigo 29, parágrafo 1º diz que ‘no caso de um jurado deixar de atribuir nota ao quesito em julgamento de determinada Escola de Samba, será atribuída a essa agremiação a maior nota dada pelos demais jurados que avaliaram esse quesito’.

O DESFILE – Na comissão de frente, Obás, os guerreiros, guardiões de verdade, que ouviram o clamor de Ojuobá e pediram ajuda para Exu. A bateria foi o ponto alto do desfile com várias ‘paradonas’.

No abre-alas, a exaltação a Xangô, o senhor do fogo e da justiça. No segundo carro, as oferendas a Xangô, com uma enorme tartaruga; a terceira alegoria falou basicamente do livro ‘Tenda dos Milagres’; e a quarta, a mistura do sagrado e do profano; Jorge Amado aparece coroado pela Mãe Senhora no quinto carro.

As baianas mostraram a lavagem da escadaria do Nosso Senhor do Bonfim; e mestre-sala e porta-bandeira, Xangô e suas esposas, como Iansã. Nas alas, o mar de Iemanjá, a capoeira, a libertação dos escravos, o afoxé e o candomblé.

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